Fraude que assola o empresariado: pagamentos na conta errada

Foto decorativa de um mouse ligado a uma carteira.

Um dos golpes mais comuns que empresários enfrentam é clientes realizar o pagamento em contas erradas. Normalmente, os clientes informam que já fizeram determinado pagamento, conforme instruções enviadas pela empresa. No entanto, as instruções a que os clientes se referem não aparentam ter sido enviadas por ninguém da empresa. Além disso, a conta bancária destinatária dos recursos não pertence à empresa. O empresário e o cliente, então, passam a discutir sobre quem recai a culpa da fraude.

Esse crime pode ser praticado de diversas formas. No entanto, duas maneiras são mais comuns. A primeira, é por atuação de funcionário de má-fé. A segunda em razão de interceptação de e-mails por hackers. Abordaremos brevemente as duas.

O funcionário de má-fé

Fraudes internas de funcionários são comuns em empresas com controles menos rígidos. Funcionários muitas vezes enviam cobranças em boletos falsificados, superfaturam reembolsos, entre outras práticas criminosas. Há, também, situações em que um funcionário solicita que o cliente faça o pagamento em conta diversa por e-mail.

Nesse caso, o funcionário pode excluir as conversas e alegar que não foi o remetente dos e-mails. Além disso, pode afirmar que desconhece as contas bancárias que receberam os valores. Normalmente, uma perícia dos logs do servidor de e-mail poderá esclarecer o que houve.

Caso tenha sido o funcionário responsável pela fraude, ele pode responder pelo crime de estelionato. Cabe apontar que a vítima do crime de estelionato tem o prazo de 6 meses para representar contra o funcionário. A contagem desse prazo se inicia quando se descobre quem foi o autor do crime.

Para que o funcionário seja investigado, basta realizar um boletim de ocorrência e fazer uma representação na polícia. No entanto, a recomendação é a contratação de um(a) advogado(a) criminalista, esse(a) profissional poderá, entre outras coisas:

  • Orientar na coleta de provas robustas contra o funcionário
  • Explicar quaisquer detalhes da fraude ao delegado de polícia
  • Sugerir próximos passos na investigação às autoridades
  • Acompanhar o inquérito policial na delegacia

Confira 7 motivos pelos quais vítimas contratam advogados criminalistas

Ataque de hacker

Nessa modalidade, um hacker intercepta a troca de e-mails com o cliente e se faz passar por um funcionário. O funcionário deixa de receber as trocas de e-mails com o cliente e não tem conhecimento da interceptação.

Nos e-mails, o hacker solicita que o pagamento de determinado produto seja feito a outra conta bancária, que não pertence à empresa. Ao final, o cliente faz o depósito na conta errada, acreditando que é correta.

Posteriormente, o empresário solicita o pagamento do cliente e recebe a informação de que a transação foi feita. O empresário, surpreendido, informa que a conta não pertence à empresa. Entretanto, o cliente apresenta e-mails, aparentemente originais, no qual um funcionário informa a troca de dados de pagamento.

A situação gera um impasse entre as empresas, que muitas vezes recorrem ao judiciário ou à câmara de arbitragem. Normalmente, o recomendável é que a empresa de onde aparenta ter originado o e-mail verifique o que ocorreu.

Veja o nosso artigo “Saiba como provar que você não enviou aquele e-mail”, para mais detalhes de como o empresário pode agir nesse caso.

De qualquer forma, o ataque é criminoso e a depender da investigação realizada pela equipe de tecnologia da informação, é possível chegar ao autor do crime em uma investigação policial.

Caso seja confirmado o ataque de hacker, o primeiro passo é mudança de todos as senhas de e-mails afetados. Além disso, é recomendável que uma equipe de TI faça uma varredura no sistema para verificar eventuais outras fragilidades para evitar que a situação venha a ocorrer novamente.

Confira também o nosso artigo sobre Como funciona a investigação em crime de hacker

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